5 Dicas para desapegar de coisas materiais sem sofrimento


Já fui consumista num nível bastante compulsivo. Era daquelas pessoas que não conseguia pisar num shopping center sem voltar pra casa com pelo menos uma sacolinha nas mãos.

Esse comportamento rendeu muitos apelidos e piadas entre meus amigos. Seria loucura, dramatização ou superficialidade? Na época não sabia responder. Hoje penso que era um pouco de cada coisa.

Nesse artigo aqui contei como o minimalismo invadiu e transformou minha vida. O artigo narra um momento de despertar da consciência, que fez refletir qual era o caminho certo pra mim.

Em termos de desapego, ainda estava longe de chegar lá. A verdadeira mudança veio aos pouquinhos, com muita observação, autoperdão e algumas recaídas.

Hoje vou compartilhar com vocês algumas dicas que me ajudaram a desapegar de coisas materiais sem sofrimento:

5. Entender Seus Desejos

A primeira coisa que passei a observar foram os desejos ocultos por trás daquela "necessidade" de compra. Passou a ficar muito claro que comprar funcionava como um mecanismo de recompensa para quando as coisas não saíam do jeito que eu esperava.

Consumir tinha virado uma desculpa para os problemas da vida. Dificuldades no trabalho, brigas de família, frustração pessoal... Quanto mais errado as coisas davam, maior o desejo de comprar.

Entender os gatilhos que acionavam a compulsão e conectar com os sentimentos que estavam por trás desse comportamento foi o primeiro passo para promover o desapego.

Delírios de Consumo de Becky Bloom.
Do cinema pra vida real...


4. Entender o Real Valor das Coisas

Compreender os sentimentos que nos levam a consumir sem necessidade abre portas para enxergar o verdadeiro valor que as coisas tem.

Para conectar com esses sentimentos proponho um exercício. Sempre que sentir vontade de comprar algo novo, antes de tomar qualquer decisão responda essas três perguntas:

1. Eu já tenho alguma coisa igual ou parecida?
2. Que diferença isso fará na minha vida?
3. Por que eu preciso tanto comprar isso?

Responda com sinceridade e evite julgamentos. Não existe certo ou errado, apenas respostas que fazem sentido para você. Aos poucos você vai perceber que existem sentimentos profundos relacionados aos desejos mais banais.

Comprar ou não comprar, eis a questão...


3. Listar as Coisas que Já Tem

Neste primeiro momento também ajuda muito fazer um inventário das coisas que você já tem. É um passo importante para enxergar a dimensão dos seus hábitos de consumo.

No meu caso, quando me dei conta estava com 3 gavetas lotadas de maquiagem e um armário com mais de 30 vestidos (sem contar o restante das peças). Em resumo: tinha muito mais coisas do que podia dar conta de usar.

Muitas mulheres se orgulham ao dizer que tem um closet completo com mais de 100 pares de sapato. Desculpem a franqueza, mas conheço pouquíssimas pessoas que são felizes vivendo assim.

É muito mais comum usarmos este excesso de vaidade para esconder nossas próprias inseguranças. Afinal, queremos nos sentir bonitas, desejadas e aprovadas socialmente. Não é mesmo?

Trabalhei mais de 6 anos na indústria da moda, onde o apelo visual e por consumo são enormes. Ao longo dos anos percebi o quanto este comportamento é nocivo. Disputas de ego e pessoas se endividando para ter um sapato da nova coleção são apenas alguns exemplos.

Pare por um momento e visualize todas as coisas que você já tem. Agora responda com sinceridade: você usa e vai usar tudo que tem?

Talvez você se surpreenda ao perceber que tem mais que suficiente para os próximos anos...

Nada pra vestir... Será mesmo?


2. Descobrir o Seu Propósito

No momento que entendi meus hábitos de consumo e os motivos que levavam a consumir compulsivamente também passei a refletir sobre meus propósitos de vida.

Antes viva ansiosa, com uma sensação interna de que algo importante estava para acontecer, mas não sabia dizer o que era. Gastava compulsivamente tentando suprir um vazio interior.

Ter consciência disso me fez olhar para este vazio e buscar um novo sentido de vida. Descobri que precisava encontrar novos desafios e mudar de uma vez por todas.

Quando encontramos algo pelo qual valha a pena lutar, fica bem mais fácil desapegar do resto.

A vida é feita de recomeços...


1. Deixar os Erros Para Trás

Uma das coisas mais importantes neste caminho é praticar o autoperdão. Quando adquirimos consciência dos próprios hábitos é comum nos sentirmos como vilões dominados pela culpa.

Não importa a que ponto você tenha chegado... Se descobriu que é um grande acumulador e está cheio de tralhas em casas... Ou se estourou o cartão de crédito e está afogado em dívidas...

Enfrente o problema, organize a casa, renegocie as dívidas e siga em frente. Canalize sua energia para as mudanças que precisa promover e aceite que você poderá ter recaídas.

Desapegar é um processo contínuo de reconstrução interior. É desconstruir velhos conceitos para se aventurar por novas estradas, na busca de um caminho mais saudável e equilibrado.


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