Essência minimalista: será que precisamos de tantos rótulos?


Em nossa sociedade certos comportamentos se repetem. Sempre que um assunto novo surge e recebe atenção pública, começam as discussões sobre o que é ou deixa de ser.

Assim, pessoas discutem e tentam apontar o dedo para quem "está mais no movimento" do que o outro. É um festival de farpas e ninguém se entende.

Chegamos à era do minimalismo, essencialismo e nomadismo digital. São tantas terminologias novas que me pego pensando: será que ainda precisamos viver com tantos rótulos?

Recentemente comecei a me aprofundar na vida e obra do Eduardo Marinho e tenho refletido bastante sobre essa questão de "etiquetar pessoas".

Ficou curioso? Então vem comigo e vamos falar mais sobre isso...

Eduardo Marinho: um autêntico minimalista?

Para quem ainda não teve oportunidade de conhecer a história deste homem incomum, recomendo alguns vídeos e o blog dele, que deixarei linkados no final do artigo.

Basicamente, Eduardo Marinho nasceu numa família de classe média alta, muito importante e reconhecida socialmente.

Porém, ele não entendia por que tinha tantos privilégios e com o passar do tempo começou a sentir profundo constrangimento por ter tantas vantagens na vida, enquanto os empregados que o serviam eram invisíveis na sociedade.

Renegado pela família, ele decidiu sair de casa para encontrar o próprio caminho. Passou dois anos vivendo na mendicância, morando nas ruas. Até que passou a trabalhar com artesanato e arte de rua, viajando pelo país com sua combe.

Depois de muitos anos, com ajuda da internet e de fãs que produziram filmes e vídeos, Eduardo Marinho tornou-se reconhecido nacionalmente e hoje em dia dá palestras e entrevistas falando sobre suas ideias e experiências.

Se observarmos a essência e comportamento, podemos dizer que ele seria um autêntico minimalista? Talvez, mas como o próprio Eduardo diz: "a sociedade tem necessidade de rotular tudo, não eu..."

Mas será mesmo que precisamos de tantos rótulos?

Sempre tive dificuldade para me enquadrar nos modelos sociais. Nunca senti que pertencia a nenhum grupo ou que alguma ideologia me representasse por completo.

Olhando para o passado e refletindo sobre todo histórico de ansiedade e depressão, percebo o quanto esta necessidade social de rotular tudo acaba se transformando em angústia, quando não conseguimos preencher todos os pré requisitos para pertencer a determinado grupo.

Mas será mesmo que tudo precisa ser tão enquadrado?

Observando os transtornos de estresse que vivemos na atualidade parece que, quanto mais a sociedade tenta encaixotar personalidades, maior é o sentimento de angústia em cada um.

No final das contas acabamos pagando um preço algo por coisas que são mera nomenclatura.

Dentro do próprio estilo minimalista e temática de vida simples, produtores de conteúdos como eu, acabam se aventurando em novos rótulos como forma de atingir mais pessoas.

Tudo é apenas questão de palavra-chave. O que nos conecta de verdade não está no dicionário.

Estamos conectados pela essência dos propósitos, pelos ideais e pensamentos que fazem mais ou menos sentido para cada um.

Então você não precisa sentir que é menos minimalista por não querer pintar todas as paredes de branco, ou porque desbravar o mundo numa combe não faz a sua cabeça.

Você sequer precisa dizer que é minimalista para viver como um.

Ninguém é hippie por usar tie die, nem gótico por usar preto. Somos singulares em nossa própria existência. Não somos produtos, não precisamos de rótulos.

Quando vivemos de essência, não é preciso dar nome aos bois. Afinal, nenhum estilo pré fabricado jamais poderá definir quem você é.

Links:
Conversa com Eduardo Marinho na TV Olhos D'Água
Observar e Absorver | Documentário sobre Eduardo Marinho
Via Celestina | Documentário mais recente
Observar e Absorver | Blog do Eduardo Marinho

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