Upcycling: a tendência de moda que vai bombar em 2019


Nem todos estão antenados, mas sabia que a moda fast fashion já está ficando com os dias contados? Ao redor do mundo, marcas e fornecedores debatem o mercado insustentável que se tornou o universo da moda, buscando novas alternativas para reformular a indústria.

Entenda como toda história se desenrolou até os dias de hoje, as iniciativas que estão sendo promovidas no mercado e como os últimos anos influenciaram, dando início a esta mudança revolucionária que está dominando o mercado da moda:

O que é fast fashion?

O movimento fast fashion (moda rápida) surgiu nos anos 90 na Europa e EUA, num momento de mundo em que as indústrias estavam em franca expansão.

Iniciou por marcas grandes como GAP, H&M, Benetton, Zara e Forever 21 e desembarcaram no Brasil depois do ano 2000, através de marcas como Renner, Hering, Marisa, C&A e Riachuelo.

Do lado social surgiam novos nichos, com as mulheres entrando no mercado de trabalho e adquirindo maior poder de compra, assim como o processo de globalização das marcas e crescimento dos países em desenvolvimento. Por outro lado, o conhecimento tecnológico evoluiu muito, viabilizando a indústria da produção em massa.

Importante entender que, até então, uma peça de roupa demorava meses para ser confeccionada, pois o foco era na qualidade. A partir dessa virada de chave, os esforços passaram a ser a produção em massa, venda rápida e, claro, projeção astronômica dos lucros.


O Verdadeiro Impacto do Fast Fashion

Para terem noção do nível de esquizofrenia que virou o mundo da moda, até então as marcas trabalhavam com as 4 estações mais conhecidas: primavera, verão, outono e inverno. Esse número cresceu tanto, que chegou a 52 lançamentos por ano. Visualizam a dimensão disso?

Significa que as grandes marcas passaram a trabalhar com uma média de 4 lançamentos por mês, ou seja, semanalmente uma nova coleção surge nas lojas.

E agora você entende por que sempre tem alguma novidade na vitrine, né?

Custo Baixo vs Valor Humano » Com o surgimento do fast fashion as marcas também passaram a praticar preços mais baixos para o consumidor final.

Para atingir isso, toda produção passou a ser exportada para países de terceiro mundo, onde o "custo de produção" (subentenda-se valor humano) é bem mais baixo.

Ao longo dos anos, a pressão das grandes empresas para redução dos custos de produção tirou o sono de muitos profissionais e fábricas, pois na realidade esses custos aumentam, ao contrário da pressão por reduzir.

No final das contas, quem paga por isso são os trabalhadores, que muitas vezes se submetem a condições sub-humanas de trabalho para conseguir sobreviver.

Fábrica em Bangladesh, país ganhou destaque depois de tragédias com mortos
e denúncias da exploração do trabalho humano em espaços precários.
Poluição Ambiental » Estudos revelam que a indústria da moda desperdiça o equivalente a um caminhão de lixo têxtil por segundo, que são queimados ou descartados em aterros sanitários, sendo responsável pela emissão de 1,2 bilhão de toneladas de gases do efeito estufa por ano.

Anualmente, 500 bilhões de dólares são jogados fora com roupas que foram pouquíssimo usadas e quase nunca são recicladas. Sem contar os resíduos químicos, provenientes dos processos de tingimento e lavagem, que são liberados nos oceanos.

Uma indústria egocêntrica
 » Quem já trabalhou com moda sabe que todo glamour vendido nesse universo é um tanto quanto fake e exagerado. Vendido e fomentado por pessoas vazias, que normalmente desfrutam de gordas contas bancárias e estão preocupadas apenas em aparecer, acumular seguidores e fazer presença vip.

Os argumentos em defesa ao fast fashion são pobres e unilaterais, falando sempre em beleza e ativação da economia, tentando se justificar na comparação com marcas sem a mínima responsabilidade social ou ambiental. Enfim, é uma gente bem alienada e sem noção!

De Ecochato à Ecofriendly

Falar sobre sustentabilidade na indústria da moda, até bem pouco tempo atrás, era coisa de ecochato, de "gente pobre" e que não tinha mais o que fazer. Acontece que essa gente chata e pobre, no final das contas estava certa e foi preciso mais de duas décadas nesse sistema desenfreado para que fosse possível retomar o tema de forma realista e sensata.

Nos últimos anos, o mundo da moda foi alvo de uma série de escândalos que trouxeram à tona o verdadeiro impacto e descaso causados pela indústria. Desde casos envolvendo o comércio de peles verdadeiras, a fábricas inteiras de trabalhadores em situação de escravidão.


Em 2015 foi lançado um filme icônico e que ajudou a abrir os olhos de muita gente. The True Cost (O Verdadeiro Custo) mostra os bastidores da moda, a pressão das empresas e realidade das fábricas terceirizadas. Então, se você acha que tudo isso é uma grande bobagem, recomendo que assista e depois conte o que achou (a propósito, tem no Netflix).

Percebam que todo esse processo é muito recente, mas o fato é que tudo isso tem mudado a mentalidade do consumidor, que passou a pressionar a indústria por novas respostas. Por esse motivo que muitas marcas já estão aderindo ao movimento contrário, o slow fashion, e buscando alternativas mais sustentáveis de produção.

Sustentabilidade na Moda

A sustentabilidade na moda aparece em diversas formas, que explico na sequência:

Produção » As cadeias de produção sustentáveis apostam na tecnologia têxtil para produzir novos materiais, originados de matérias primas renováveis como bambu, algodão orgânico, cânhamo, garrafas pet e até mesmo madeira.

Outras iniciativas sustentáveis nas cadeias de produção são o reaproveitamento da água utilizada nos processos de lavangem e descarte consciente de resíduos, preservando as fontes renováveis.


Consumo Consciente » Tratar as peças de roupas como bens duráveis e estar atento ao consumo é uma das principais iniciativas que qualquer um pode adotar para ficar mais engajado com a causa. Assim como estar atento às marcas que consome, buscando informações sobre a responsabilidade social e ambiental de cada uma.

Uma atitude simples é começar a olhar na etiqueta qual o país de origem da peça. Muitas pessoas pararam de comprar couro em função da causa animal, mas esqueceram que por trás da indústria sintética existe a causa humana, o trabalho escravo, o impacto ambiental dos resíduos químicos e processos de importação.

Reaproveitamento » Também conhecido como Upcycling, essa é uma das principais tendências da moda atual, que aposta na reutilização de materiais, sobras e tecidos para confecção de novos produtos. Pouco a pouco, grandes marcas começam a apostar em programas "verdes" e apresentar coleções criadas a partir de materiais reciclados.

Upcycling: Por que é a tendência que vai bombar em 2019?

Nos desfiles de moda 2018, as passarelas ao redor do mundo apresentaram o engajamento das marcas com a tendência sustentável, através de coleções criadas a partir de materiais reciclados, matérias primas renováveis e ações sociais. O estilo artesanal, com peças produzidas a mão, também evidencia essa tendência transformadora.

Osklen apresenta peças com algodão reciclado, retalhos
e sobras de pano no desfile da SPFW (novembro/18).
A evolução e aderência ao assunto são realmente significativas e demonstram o movimento que está acontecendo nos bastidores. Não é por nada que grandes grupos pularam na frente para apresentar planos estatégicos comprometidos com a sustentabilidade (alguns com projeção até 2021).

Apesar do setor ainda ter muito a evoluir no tema, muitas marcas já estão mobilizadas em atender a esta demanda crescente por atitudes mais responsáveis. Mas lembre-se que isso surgiu a partir da pressão do consumidor, por isso é tão importante estar atento.

Quanto mais estivermos engajados nas causas sócioambientais da indústria da moda, mais empresas vão sair da zona de conforto para buscar novidades que causem menor impacto na vida das pessoas e no meio ambiente.

Marcas engajadas com a sustentabilidade

Confira algumas das inciativas e marcas comprometidas com a sustentabilidade:

Re Moda Renner » Em 2018 a Lojas Renner lançou seu programa de sustentabilidade com o lançamento do conceito Re e a coleção Re Jeans, criada somente com jeans reciclado. No site eles apresentam também seu plano estratégico para 2021.


Insecta » Marca nacional de sapatos e acessórios veganos e ecológicos feitos no Brasil. A missão da marca é polinizar no mundo cores e consciência.

Ai.Ginska » Pequena marca experimental de São Paulo, que trabalha com tingimento em índigo natural e outras plantas. Valorizam a criação, o processo artesanal, manual e acreditam que as roupas devem ser usadas inúmeras vezes, pregando o consumo mais consciente.

Manui Brasil » Marca slow fashion que defende a moda consciente, produzindo peças versáteis e atemporais, confeccionadas com tigimento natural e estampadas manualmente.

Re-Roupa » Projeto que foca no reaproveitamento de resíduos considerados "lixo" e na valorização da mão de obra local. Em 2018 lançou uma parceria com a Farm na reciclagem de mil peças por mês.

Eu Abraço Sustentabilidade com Estilo » Campanha lançada em 2013 numa iniciativa do grupo Malwee, que além de uma coleção exclusiva, reforça a gestão sustentável da empresa. Atualmente o site apresenta o projeto deles para 2020, com ações que estão sendo trabalhadas.

Conhece outros programas e marcas que não estão na lista? Deixe seu comentário!

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