Minimalismo X Economia: vida simples é sinônimo de pobreza?


Um dos maiores debates em grupos de dicussão minimalistas é sobre qual a relação entre vida simples e economia. A principal dúvida que paira no ar: minimalismo é sinônimo de pobreza?

Para quem está iniciando a jornada neste caminho é muito fácil confundir e por isso hoje vamos tirar suas dúvidas e desmistificar de uma vez por todas esses conceitos um tanto equivocados.

Se você deseja saber mais, vem comigo e descubra como minimalismo e economia estão mais relacionados do que parece num primeiro momento:

Frugalidade: a arte de administrar recursos

No livro Dinheiro E Vida, os autores Vicki Robin e Joe Dominguez descrevem que ser frugal é usar com sabedoria os recursos da vida. Isso inclui dinheiro, tempo, energia, espaço e bens materiais.

Frugalidade é a arte de viver em equilíbrio e feliz com o que se tem. Nem com muito pouco, nem com excessos. O segredo está em ter o suficiente, sem desperdiçar recursos financeiros, materiais ou naturais.

Ser frugal é valorizar as coisas que você tem ou usufrui, fazendo bom uso delas. Diferente daquele velho conceito de comprar apenas para acumular e deixar parado no armário.

Talvez o lado mais inspirador de ser frugal esteja em valorizar as coisas que chegam até você, sem necessariamente possuí-las.

Por exemplo, você pode alugar um filme para se divertir ou ler um livro emprestado. Não é preciso possuir as coisas para se beneficiar delas.

Assim passamos a nos relacionar de forma diferente com o consumo. Comprar vira um comportamento consciente, planejado e pensado.

Você deixa de ser refém de estratégias publicitárias para virar dono de suas próprias decisões.

Loucos por consumo...

Economia Doméstica: pilar da sustentabilidade

Perdoem a franqueza, mas não tem pensamento mais pobre e superficial do que pensar em economia como sendo mera forma de lidar com orçamentos domésticos apertados.

Economia doméstica é sinônimo de saúde financeira e qualidade de vida. É fazer uso racional dos recursos e exercitar o consumo consciente escolhendo melhor os alimentos, bens de consumo e hábitos que levam ao desperdício.

Está muito além de fazer uma planilha de gastos mensais. É valorizar o próprio trabalho evitando jogar dinheiro fora e aprendendo a investir no que realmente importa para você.

Cuidar do próprio dinheiro é uma atitude sustentável, pois está relacionado ao uso que você faz de recursos naturais como energia, água, desperdício de comida e produção de lixo.

Quem guarda um vintém, sempre tem!


Consumo Consciente: em busca da simplicidade

Da frugalidade à economia doméstica, todos os assuntos convergem no mesmo ponto: consumo consciente.

Praticar o consumo consciente é encontrar a liberdade na simplicidade. Liberdade para fazer suas escolhas sabendo o impacto delas em sua vida, sociedade e meio ambiente.

Consumo consciente porque você não precisa ser vítima dos próprios desejos e impulsos. Você passa a ser dono do seu dinheiro (e não dominado por ele).

Não é uma ideia hippie, nem espiritualista. Não é sobre poder e ter dinheiro na conta para gastar.

É deixar de ser um alienado dominado pela própria conta bancária, com um cartão de crédito nas mãos. É parar de sentir palpitações ao se deparar com uma liquidação.

Em resumo, é eliminar a ansiedade e estresse causados pelo excesso de consumo.

Está relacionado com o tempo que você dedica ao consumo. Quantas horas por dia você gasta namorando produtos na internet ou vitrines de lojas?

Já parou para pensar quanto tempo você pode estar desperdiçando em compras? Imagine tudo que você poderia fazer por si mesmo nesse tempo: estudar, praticar exercícios, investir em cursos e atividades de lazer...

Destralhar a vida = liberdade


Acumuladores compulsivos: uma história real

Meu pai foi um acumulador compulsivo. Uma das frases preferidas dele era: "vou comprar porque eu posso"... E assim, tínhamos duas geladeiras lotadas de comida, numa casa com apenas 3 pessoas. 

Conviver com tanto desperdício e acúmulo de coisas trouxe uma energia de estagnação enorme para todos nós. A vida tinha virado aquele meme tragicômico de pagar boletos e tentar emagrecer.

De repente comprar tinha virado uma obsessão e objetivo único de vida. Não preciso dizer que a história não terminou nada bem...

Após sofrer um derrame cerebral e passar dois meses internado no hospital, meu pai veio a falecer. Todo quadro foi resultado de muitos anos de abusos físicos e emocionais.

Passar por isso me fez questionar o que era realmente necessário e importante na vida. Será mesmo que precisava comprar apenas por ter condições financeiras? O que estava tentando compensar?

Foi assim que comecei o processo de destralhar a própria vida. Demorei um ano para conseguir por minha casa em ordem limpando os armários, separando roupas para doação e desapegando dos excessos.

Abandonei um estilo de vida ansioso e estressado baseado no ter, para ir em busca do ser. Abraçando o caminho do autoconhecimento para desconstruir velhos conceitos e reencontrar minha própria essência.

Contar essa história não é nada fácil, mas acredito ser importante para evidenciar quanto o excesso de consumo é nocivo e perigoso para nossa saúde física, mental e emocional.

O que aprendi com tudo isso trouxe motivação para levar essa ideia adiante e compartilhar com vocês todo conhecimento que mudou a minha vida. Tenho certeza que pode transformar a sua também.


Você ainda acha que vida simples é sinônimo de pobreza? Compartilhe suas experiências e deixe seu comentário!


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