Ela sentia angústia social, descobriu o minimalismo e olha no que deu...


Existem sentimentos que nos acompanham durante uma vida inteira, sem sabermos definir exatamente o que é. Foi assim que passei boa parte da vida com o coração apertado, numa angústia sem explicação. Até descobrir o minimalismo e estilo de vida simples...

Se identifica com alguma parte dessa história? Então vem comigo, pois hoje vou compartilhar com você tudo que aprendi sobre angústia social:

Paraísos Artificiais: vivendo na balada

Tive a sorte de nascer numa família que proporcionou todas as facilidades que alguém poderia ter. Assim, estudei em bons colégios, me formei em universidade particular e nunca passei por grandes privações na vida.

Porém, todas essas facilidades não explicavam o sentimento de angústia que insistia em oprimir meu peito. Alguma coisa parecia errada, mas não sabia dizer o que era.

Na adolescência eu pensava que este sentimento era falta de liberdade. Então, ao fazer 18 anos, achei que estava dando meu grito de independência e me entreguei à vida social.

Rodava noites em bares e festas, saía de segunda à domingo. Em casa, era apenas uma visita. Acreditava estar aproveitando minha juventude e aquela angústia no peito passou a ser abafada com muita bebida alcóolica.

Passei muitos anos vivendo confortavelmente entorpecida. A ponto de acreditar que havia encontrado a solução para todos os meus problemas.

Mas nada disso explicava por que eu ainda era atormentada por episódios depressivos que insistiam em surgir anualmente, tirando meu centro de equilíbrio.

Confortavelmente entorpecido...

As Máscaras que Vestimos

Com o passar do tempo, este excesso de vida social passou a me incomodar...

De alguma forma eu sentia que não era livre, sentia que socialmente estava sempre vestindo uma máscara e não me sentia à vontade para ser quem era de verdade.

Me incomodava a cobrança por estar sempre sorrindo e a superficialidade dos relacionamentos.

Sempre fui uma pessoa profunda, amante de debates e discussões filosóficas. Mas faltava serenidade para expor minha opinião. Vivia brigando com todos à minha volta e gerando polêmicas.

Demorou um tempo para perceber que todo esse comportamento era reflexo do meu próprio desequilíbrio interior e falta de autoconfiança.

Então decidi fazer o caminho inverso e me afastei ao máximo do convívio social. Foi assim que me afastei dos amigos. Não pelas amizades, mas porque precisava encontrar meu próprio caminho.

As máscaras que vestimos...


 Despindo a Máscara e Enxergando a Realidade

O afastamento tornou possível avaliar toda situação por outro ângulo. Aos poucos percebi o quanto estava presa ao conceito social de dar certo na vida e ser aceita por outras pessoas.

Queria um bom emprego, segurança e estabilidade para ter conforto e me encaixar no "processo natural da vida" (na verdade, expectativa dos outros para minha vida...)

Da mesma forma que precisava estar sempre na moda e bem maquiada para me sentir bonita. Não gostava de repetir a mesma roupa, achava que seria apontada na rua.

Todos esses sentimentos geravam profunda angústia, pois na verdade eram exigências sociais e não correspondiam aos meus desejos verdadeiros.

Quando enxerguei isso, ficou muito claro a máscara social que usava para disfarçar meus sentimentos, enquanto o álcool anestesiava toda dor escondida.

Era um círculo vicioso que me levaria ao fundo do poço. Levou algumas vezes.

A um passo da libertação...

Do Despertar ao Processo de Cura

Conforme eu conto nesse post aqui, perder meu pai foi o trampolim de toda transformação e início do meu caminho no estilo de vida minimalista.

Quando tudo aconteceu, eu já estava despindo a máscara social e buscando respostas para o que eu queria da vida. A dor da perda apenas evidenciou a verdade e acelerou o processo.

Recordar períodos significativos da infância me reconectou com a essência interior, como chama que acende e ilumina a escuridão.

O valor não estava na maquiagem, nem no sapato. Estava ali o tempo todo. Na simplicidade dos gestos, nos momentos compartilhados, nos abraços apertados, nas experiências que vivemos.

Tão simples quanto um bilhete carinhoso, um café na cama, ou qualquer gentileza como segurar a porta do elevador e cumprimentar o porteiro.

Percebi que vivia tão cega na busca por respostas externas e segurança financeira, que abafei todos os instintos internos. Aqueles que apontavam na direção dos meus sonhos.

Todo esse despertar foi um processo lento e gradual, que durou cerca de dois anos. Continue lendo, já vou explicar como aconteceu...

Simplicidade cura! 💜

Cura através do Minimalismo

O primeiro ano foi totalmente focado no autoconhecimento. Passei a estudar mais os processos da mente e cura através dos pensamentos. Comecei a meditar, estudar sobre minimalismo, vida simples, organização pessoal e produtividade.

Pouco a pouco fui mudando os hábitos diários que travavam minha capacidade de ação. Coisas aparentemente pequenas, como arrumar a cama e lavar a louça diariamente.

Este processo trouxe força de vontade e motivação para dar o segundo passo.

Então no segundo ano iniciei o projeto para destralhar a casa, desapegar de coisas materiais e doar metade dos armários. Fui de 7 a 3 portas no guarda-roupas (e buscando reduzir ainda mais).

Depois de todo esse percurso e aprender tantas coisas novas, surgiu o desejo de criar o blog para compartilhar as descobertas incríveis que mudaram minha vida.

É preciso dizer que o desapego é um exercício constante. Se não limparmos nossa casa periodicamente o ambiente volta à desordem original.

O mesmo acontece com nossas emoções.

A maior lição que aprendi no caminho da vida simples foi a importância de permanecer conectado ao momento presente, atento aos próprios sentimentos e instintos.

E adivinhe só... Quando estamos alinhados com nossa própria essência, o sentimento de angústia desaparece. O aperto no peito é substituído por esperança e os passos seguintes, a própria vida vai mostrando a direção.

Te desafio a responder:

» Você está satisfeito com sua própria vida?
» O que você faria da vida num mundo onde não houvesse dinheiro?

Leia também:
Minimalismo: mitos e verdades de uma vida mais simples

Comentários